casos · coisas da vida

Viagem por litro

Depois de me afogar no âmago do tédio por horas e dias à fio, tomei ânimo e segui pelas ruas… fui indo… fui levada… fui ouvindo… fui me esconder da vergonha de ter construído habilidosamente um futuro desastroso e sem gosto.

O único gosto que estava disposta a sentir e experimentar, eram todos desconhecidos e por isso passei a querê-los um a um. Caminhei sem rumo, sem qualquer planejamento, aliás, passei a odiar a palavra planejar! Toda vez em que planejei pude comprovar o quanto a vida perdia seu brilho, a culpa era do tal planejamento!!! Do que valeu seguir à risca cada ponto? Valeu me uma porção de sonhos irrealizados e dúvidas incontáveis, após planejar passei a colecionar dúvidas! De um problema, outros ainda maiores surgiam á custo de sofrimento e muita tristeza. 

Encontrei um barzinho no meio do nada. Um facho de luz fraco me despertou o interesse, até senti alívio por ter tido aquela visão pois já não me aguentava mais naquele fel de sentimentos frustrantes. Me assentei na beira da escada logo na entrada do bar e reparei no letreiro que dizia “Pousada chegastes a lugar nenhum Cândido”. Aquelas horas da noite pouco me importava o nome, pedi ousadamente e com muita urgência o que de mais forte se tinha no estabelecimento. Não quis conversa, só queria curtir o meu copo cheio. Aquele copo barato, por pouco menos de cinco reais me daria a chance de fugir do fracasso e do tédio!

Pela primeira vez em anos senti que estava tomando a decisão certa. Me trouxeram a primeira dose e não percebi nenhuma diferença, então pedi que trouxessem outra maior. Depois, já sem paciência gritei para que deixassem o litro todo. Estava pagando para viajar e não para aquilo… Não queria esquentar nada, queria viajar sem destino e sem data para chegar. Eu mesma fiz as honras de me servir até que… sei lá! Já não me lembro de detalhe algum daquela noite, nem sei para onde fui e se cheguei a conhecer pessoas, se chorei, se senti alívio, não sei. Só o que sei é que aquela “viagem” não mudou nada em mim, não fez qualquer diferença e em razão disso, passei a odiar todas as viagens baratas.

De litro por litro, fico com o amargo da vida que ao menos não me tira as parcas cédulas que tão ordinariamente conquistei. Lembre-se deste nome “Pousada chegastes a lugar nenhum Cândido”.

A lição que fica é a seguinte: Vamos deixar de ser besta, tomar vergonha na cara, acordar para a vida, cair na real, parar de chorar as misérias que já não são poucas e… vamos tomar rumo na vida.

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