Mundo · Não esqueci e nem vou esquecer

Sem nome

Justo nessa ocasião achei de fazer uma coisa desajeitada, diante disso, palavras não terão medidas. Foi um instante notável no qual ele em tempo nenhum saberá quem sou, e tampouco, o verei novamente. Tarde de outono a caminho da praça da República horário de almoço, provavelmente, rua movimentada. Pensamento vagando entre livros e dicionários, quase um sonho de consumo. Aproveito para curtir aquela sensação bacana de estar num lugar distante de casa e com personagens desconhecidos, de vez em quando é interessante se notar quem vai, porquanto não sabemos quem são eles (as) que fascinantemente nos chamam a atenção, ora com seus trajes ora com seus olhares.

Detenho-me por um minuto perante um homem e este, com olhar curioso só observa. Pergunto se estou próxima ao lugar onde vou para comprar meus livros e dicionários, ele faz uma brincadeira como quem diz que ainda terei um bocadinho pela frente, mas depois, fitando-me com ar de gracejo sorri! Eu também. Em seguida enuncia que preciso seguir sempre adiante que, a pouco menos de cinco minutos, estaria no metrô. Esse não era apenas um prenúncio a respeito do local em que me acharia, mas também, o prognóstico de que o veria pela primeira vez. Conforme a orientação daquele homem incógnito continuei na mesma direção exausta de tanto andar.

Quando decidi por percorrer o caminho, o único fato que me interessava era o de chegar o quanto antes naquela livraria e trazer comigo os dois objetos que poderiam satisfazer a minha vontade. Porém, satisfação teve eu em passar justo naquele instante. Foi como se o destino se cumprisse exatamente na hora decorrida.

Não me preparei para este dia, apenas deixei com que acontecesse sem mais expectativas, afinal, numa tarde de outono entre personagens anônimos não haveria o que fazer senão submeter-se aos meus sonhos irrealizados.

No momento em que, sem mais delongas, olho para o lado direito a uns poucos passos diante de mim, o instante torna-se eterno e memorável. Ele passa todo charmoso e sem me notar é claro, não faço cerimônias e tento abstrair o máximo daquele olhar ou quem sabe daquela voz já que falava ao telefone. Acontece que consigo mais. O momento me presenteou justo com um sorriso belo, maravilhoso, desses que só percebemos numa tarde de Outono a caminho da praça da República no meio de homens e mulheres desconhecidos que podem vir a se tornarem interessantes ou quem sabe, mais um personagem de outros tantos escritos poéticos.

Sei lá quem é você, talvez se soubesse perderia a graça.

 

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