Mundo · Não esqueci e nem vou esquecer

Diálogo truculento

Orgulho strongest!
Orgulho strongest!

Quem é você?

– Anderson da Silva Figueredo!

Vai negão, encosta na parede e levante as mãos!

– Sr, disse que meu nome é Anderson.

Quem se importa?!

– …(minha família se importa. Meus pais se importam. Meus irmãos, meus amigos, aqueles que me conhecem e me amam se importam)

Quem é você?

– Vou dizer quem sou, mas, baseado  nos estereótipos que me dão. Sou vagabundo porque sou negro, criminoso, assaltante, favelado e suspeito.

E…Onde você vive?

– Nas margens. Nos extremos das zonas Leste ou Sul, periferia para ser mais direto porque como morador não sou bem-vindo em bairros como Granja Viana e Morumbi. Meu acesso a essas regiões se faz através da minha profissão de jardineiro, segurança, pedreiro ou gari… Trabalho em casa de Advogado, Diplomata, Médico, Gerente de Multinacional, apresentador de Tv, coisa fina! Só patrão mesmo nesses cargos que porventura são negados a nós negros, por não sermos da elite, da nata do leite. E por essas profissões assim eu vou dos extremos ao centro de condução lotada. Desperto as quatro da madrugada e vou.

Ok, bom… E o que você quer para seu futuro?

– Quero assim como você, ter acesso a universidades de qualidade. Quero ser Dr. Anderson. Quero andar na rua com meus bens sem ser suspeito de crimes que não cometi. Quero ser diplomata, juiz, desembargador, quero ser eu com direito à iguais condições e oportunidades.

Como assim quer ser você?

– Quero ser o que quiser e não aquilo que a sociedade impõe a nós milhares de negros e negras! Não somos vagabundos e preguiçosos. Dos vagabundos como dizem, a sociedade se serviu por mais de 388 anos nos submetendo a escravidão. Trabalhamos como escravos por 388 anos por sermos vagabundos, imagina! Não tenho dívidas, por isso, quero que me deixem livre! Tiraram os grilhões dos nossos pés e mãos para coloca-los em nossa pele escura.

O que você espera?

– Eu não espero, há tempos que temos lutado para que nos libertem desse ódio e preconceito que muitos carregam dentro de si por nós, sem ao menos nos conhecerem, sem sequer termos tido qualquer contato.

E o que você tem a dizer?

– Meu nome é Anderson e não sou ladrão e nem vagabundo. Para ter essa pele é preciso ter coragem e ser forte porque não sei se aguentariam tudo o que aguento. Sou competente, nobre por ter herdado a pele negra e não me calarei, enquanto não ver I have a dream realizado!

 

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